Fernando Chile




Fernando Antonio Tiago Chile nasceu em Recife em 1969. Graduado em História e professor da rede estadual de ensino. Começou a escrever ainda na adolescência, embora tenha intensificado a produção em 1988. Faz uma poesia de linha urbana, versos curtos, recitados com talento – da mesma forma com que recita poemas de outros autores. Na época da universidade passou a ter contato com os poetas Lara, Ivan Maia e outros poetas alternativos e a participar da militância literária. Colabora com poemas em jornais, revistas e fanzines, veículos em que começou a publicar seu trabalho a partir de 1995. O seu livro saída de emergência encontra-se publicado no Interpoética.


Fonte: Interpoética







Talvez
Fernando Chile




Não fosse tantas
As angústias.
Talvez
Não existisse
Tantos bares abertos
A essa hora da madrugada.







Da cidade, seus homens e seus sonhos
Fernando Chile




A cidade dorme toda
Sob a madrugada presente.
Incontáveis sonhos
Adormecidos, adormecidos.
Empoeirados da corrida capitalista.
Ressecados da exposição em praça pública.
Sonhos perdidos
E sempre procurados.
Sonhos quase abandonados
E ainda por demais perseguidos.
Vívidos.
Quase reais.
A cidade dorme toda
E sonha com seu projeto de segunda-feira
Com o pé direito
(prefiro com os dois pés)
E tem uns que ficam acordados
Observando os sonhos alheios
Fugirem pelas frestas das casas
Para não voltar mais.







Perseverança
Fernando Chile




Vivo
Tecendo sonhos
Com linhas de esperança.
Creio
Na glória
De nossas lutas.
Aqui
Desespero
Não dita o tom
Melódico.
Ainda não é tempo de fim.








Reconstrução civil
Fernando Chile




Passado todo janeiro em paz
Fevereiro foi desgraça só
Março
Abril
Maio
E junho
Ficou para a remoção dos destroços
A música comum a todos não toca mais
Os sons são tratores trabalhando
Dias e noites sem parar
Não há mortos sob os escombros
Os escombros estão dentro dos mortos
E eles andam
São mortos-vivos
Que catam restos de esperanças
E cantam canções tristes
Em meio a poeira de construções destruídas
Enquanto a palavra de ordem é: Reconstrução.








Sem título
Fernando Chile




Sinto muito.
Mas sinto mesmo
Presságios de coisas ruins
No porvir.
Até pela própria precariedade
Dessa existência
Que obrigado carregamos.
Mesmo assim
Nas manhãs de domingo
Costumo vestir-me de Sol.
Ponho minha camisa
Cheia de flores
Caminho à margem
Das avenidas
E visito constantemente
A vida onde nos afogamos.






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